A compra de um terreno ao lado da escola de Santa Cruz do Pery movimentou a sessão da Câmara de Vereadores de Curitibanos. O espaço deve ser utilizado pela UFSC...
Estamos novamente diante de um 7 de setembro, data que deveria nos encher de orgulho e de esperança no futuro do Brasil. Em Curitibanos, como em tantas cidades do interior, a lembrança da independência costuma vir acompanhada de desfiles, bandeiras nas janelas e discursos sobre liberdade e soberania. Mas a verdade é que, nos últimos anos, temos perdido parcialmente esse amor à pátria. Não por falta de carinho pela nossa terra, mas porque a realidade econômica e política insiste em nos mostrar que a independência, tão celebrada no passado, parece hoje apenas um ideal distante.
O “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos é exemplo claro dessa contradição. De uma hora para outra, setores inteiros da economia brasileira se veem ameaçados. Empresas que dependem do mercado americano já falam em redução de produção e até em paralisação de atividades. É o caso da indústria do aço, da agricultura e de outros setores estratégicos, que em cidades do interior como a nossa movimentam empregos, comércio e renda. Quando a economia americana espirra, nós acabamos resfriados.
A grande questão é: como celebrar a independência se vivemos em constante dependência? Dependência tecnológica, dependência de crédito externo, dependência de mercados que ditam preços e condições. Essa sensação de impotência, de que nossas decisões pouco interferem no rumo do país, tem corroído o sentimento patriótico de muitos brasileiros.
Mas não podemos desistir. O amor à pátria precisa ser reinventado, não apenas com hinos e bandeiras, mas com novas estratégias de sobrevivência e crescimento. Precisamos olhar para dentro, fortalecer nossos mercados internos, apoiar os pequenos produtores, estimular a inovação e diversificar parcerias internacionais. É hora de entender que patriotismo não é apenas emoção: é também política econômica inteligente, gestão pública eficiente e participação ativa da sociedade.
Neste 7 de setembro, talvez não tenhamos muito a comemorar, mas temos muito a refletir. O Brasil precisa reencontrar sua verdadeira independência — não aquela proclamada às margens do Ipiranga, mas a que se constrói no dia a dia, na força de trabalho de seu povo e na coragem de enfrentar desafios. Só assim conseguiremos devolver sentido à palavra “pátria” e recuperar o orgulho de sermos brasileiros.
Viva o Brasil.
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